Ala do STF vê Lula em modo campanha ao se afastar do caso Master
09/04/2026
(Foto: Reprodução) Os ministros do STF, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a solenidade
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ala do STF avalia que Lula entrou em modo campanha ao adotar uma estratégia de se distanciar do Supremo Tribunal Federal para evitar desgaste eleitoral.
Isso ficou claro, segundo ministros da Corte ouvidos pelo blog, na fala de ontem.
Em entrevista ao ICL, o presidente da República disse ter aconselhado o ministro Alexandre de Moraes e também afirmou que o caso Master prejudica a imagem do STF.
"Eu disse para o companheiro Alexandre de Moraes e vou dizer para vocês exatamente o que eu disse para ele. É o seguinte: você construiu uma biografia histórica neste país com o julgamento do 8 de janeiro. Não permita que esse caso do Vorcaro jogue fora a sua biografia", declarou Lula.
"Primeiro porque você não estava advogando no seu escritório há quase 15 anos, porque foi secretário da Justiça, foi ministro do Michel Temer, estava fora. Mas a sua mulher estava advogando, diga que: 'A minha mulher estava advogando, minha mulher não tem que pedir licença para mim, eu só prometo que aqui na Suprema Corte, em caso da minha mulher, eu me sentirei impedido de votar qualquer coisa'. Alguma coisa que passe para sociedade uma firmeza, que ele [Moraes] tem", completou o petista.
Nos bastidores, aliados de Lula dizem que essa movimentação é estratégica, uma tentativa de se descolar de uma percepção que cresceu na sociedade. A leitura dentro do Palácio do Planalto é de que há, hoje, uma imagem de mistura entre governo e Supremo. E isso, eleitoralmente, pesa.
Por isso, aliados passaram a defender que Lula passe a marcar posição, criando uma distância pública para evitar que essa associação respingue diretamente na campanha.
Esse movimento, aliás, já vinha sendo desenhado. Integrantes do governo reconhecem que o presidente vinha modulando esse distanciamento nos bastidores e agora resolveu explicitar.
No Supremo, porém, a reação não é boa.
A avaliação entre ministros é de irritação com esse gesto do Planalto.
Alguns avaliam que a estratégia não rende frutos, já que, além de irritar integrantes da Corte, inclusive aliados do governo, pode gerar ruídos desnecessários na relação entre os Poderes.
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