Mais de 14 mil medidas protetivas são concedidas a mulheres no RJ em menos de 3 meses; veja como se proteger

  • 12/03/2026
(Foto: Reprodução)
Como fiscalizar as medidas protetivas Em menos de três meses deste ano, a Justiça concedeu mais de 14 mil medidas protetivas a mulheres vítimas de violência no estado do Rio de Janeiro. O que muita gente não sabe é que a vítima pode pedir o endurecimento dessas restrições para ampliar a própria proteção. Uma mulher, que prefere não se identificar, contou que foi casada por 18 anos e precisou recorrer à Justiça para conseguir uma medida protetiva contra o ex-marido. “A partir do momento em que eu disse que queria me separar, eu tive um vislumbre do que muitas mulheres passam anos e anos na vida delas. Ameaças de todos os tipos. Ele falava que ia quebrar a casa, que ia quebrar armário”, contou. “Ele pegava a marreta e falava: ‘olha, se você falar pra alguém o que tá acontecendo eu vou quebrar tudo’. Não é só quebrar tudo. Você se sente ameaçada também”, acrescentou. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Mulher recorreu à Justiça para conseguir uma medida protetiva contra o ex-marido Reprodução/TV Globo As medidas protetivas estão previstas na Lei Maria da Penha. Só neste ano, 14,4 mil medidas de urgência foram concedidas em todo o estado do Rio. Elas podem determinar o afastamento do agressor do lar, a proibição de aproximação ou contato com a vítima, entre outras providências para garantir a segurança da mulher. Nem sempre, porém, as determinações são respeitadas. No mês passado, a agente comunitária de saúde Amanda Loureiro da Silva Mendes, de 25 anos, foi morta a tiros em Quintino, na Zona Norte do Rio. O ex-companheiro, Wagner de Araújo, foi preso suspeito do crime. Amanda tinha uma medida protetiva, mas, segundo a família, ele continuava fazendo ameaças. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que, no ano passado, 12% das vítimas de feminicídio no estado tinham medidas protetivas em vigor. A coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro explica que, em determinados casos, há maneiras de agravar as medidas contra o agressor para evitar que a violência evolua. “A gente pode determinar que se coloque a tornozelo eletrônica, que vítima tenha um botão de pânico, esses equipamentos, no Rio de Janeiro, estão disponíveis”, afirmou Thaís Lima. “Então é importante no primeiro sinal de descumprimento da medida produtiva a retorne para Defensoria Pública ou vá à delegacia para comunicar esse fato para que decência ao juiz para tomar medidas mais graves em relação a esse agressor.” Em outro caso, uma mulher de 100 anos precisou pedir proteção da Justiça contra o próprio neto, que ela mesma criou. A idosa contou que as agressões eram verbais e que as ameaças pioravam quando ele bebia ou usava drogas. “Aí deu pra brigar comigo, me xingar à toa. ‘Você é isso, você é aquilo e aquilo outro’. Dói, mas eu tenho medo de voltar a fazer alguma coisa, né, mas eu tô suportando”, disse. LEIA TAMBÉM: Violência contra a mulher: saiba identificar os tipos de agressão e como denunciar Vítimas de violência doméstica aprovam botão do pânico: 'Me sinto protegida', diz atriz agredida Amanda Loureiro foi morta a tiros em Quintino; ex-companheiro foi preso pelo crime Reprodução/TV Globo Cinco anos da Ronda Maria da Penha Glória Maria, comandante da Ronda Maria da Penha Reprodução/TV Globo O caso passou a ser monitorado pela Ronda Maria da Penha da Guarda Municipal do Rio. As equipes especializadas dão suporte a mulheres em situação de violência. Assim que a Justiça expede uma medida protetiva, a ronda inicia visitas regulares às vítimas, como forma de garantir proteção e evitar que a violência se repita. O programa completa 5 anos nesta quinta-feira (12). Só em 2025, foram 24 mil visitas de acolhimento a mais de 5,6 mil mulheres assistidas. No mesmo período, as equipes realizaram mais de 200 conduções de agressores à delegacia por descumprimento de medidas protetivas, e 43 foram presos em flagrante. “O intuito é gerar proteção imediata, vai ser fiscalizada e tudo que ela precisar da rede, autonomia trabalho, psicólogo, equipes multidisciplinares vão estar dispostos para acompanhá-la nesse processo até que ela não precise mais se utilizar desse direito da Lei Maria da Penha”, afirmou a comandante da ronda, Glória Maria. Para uma das vítimas atendidas, denunciar foi o caminho para recomeçar. “É um reencontro com você mesma. Tipo poder ter uma casa do jeito que eu queria junto com meu filho, voltar a estudar, terminar o meu curso, trabalhar, mas o mais importante é viver tranquilamente”, disse.

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/03/12/mais-de-14-mil-medidas-protetivas-sao-concedidas-a-mulheres-no-rj-em-menos-de-3-meses-veja-como-se-proteger.ghtml


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