Pedido de comida por aplicativo tem ameaça a entregador e casa de cliente vandalizada em Campo Grande
09/06/2026
(Foto: Reprodução) Discussão por buzina durante entrega gera ameaças e vandalismo em Campo Grande
Uma discussão entre o motoentregador Douglas Silva Borges, de 33 anos, e o policial militar Luiz Guilherme Rodrigues terminou em acusações mútuas e ameaças em Campo Grande. O caso aconteceu no domingo (7) durante a entrega de um pedido de comida e viralizou nas redes sociais. Horas após a divulgação das imagens, a casa da família do policial foi atacada por um grupo de motociclistas. O caso é investigado pela Polícia Civil. Veja o vídeo acima.
As imagens mostram o momento em que o policial militar ameaça o trabalhador após uma reclamação sobre o uso de buzina em frente à residência. O entregador afirma que gravou a cena para se defender após ser intimidado. Por outro lado, a família do policial alega que houve provocação por parte do motociclista e que o vídeo divulgado mostra apenas parte do ocorrido.
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O entregador denunciou o policial pelas ameaças feitas durante a entrega da comida nesta terça-feira (9). Já a família do PM registrou o caso na polícia pelos danos causados ao imóvel e pelas intimidações sofridas na internet na segunda-feira (8).
Nas imagens gravadas por Douglas, o policial aparece exaltado. Em um trecho da gravação, Luiz ameaça o entregador após reclamar das buzinas em frente à residência.
Douglas: Beleza chefe. Desculpa, desculpa
Luiz: Desculpa nada. Quando você chegar na frente da minha casa e buzinar igual p*… eu vou te enfiar a porrada.
Douglas: Beleza
Luiz: Pode gravar o que voce quiser. Estou deixando claro pra você. Aqui se você chegar buzinando igual p**, você vai aprender que aqui não é lugar de p**.
Douglas: Perdão chefe. não vai acontecer de novo não.
Ao g1, Douglas relatou que trabalha na profissão há oito anos e que se sentiu intimidado durante o episódio. "Eu fiz isso para minha defesa. Imagina se eu não estivesse filmando? Eu sou só um trabalhador", disse o entregador em uma publicação na internet.
Versão da família do policial
Caso gerou repercussão nas redes sociais.
Reprodução
A família do policial apresenta uma versão diferente. Segundo Marta Gavilan, esposa de Luiz Guilherme Rodrigues, a discussão começou depois que o entregador teria buzinado diversas vezes em frente à residência durante a noite.
Marta afirma que a família aguardava a entrega e que o policial saiu para reclamar do excesso de buzinas porque uma vizinha idosa mora em frente ao imóvel. Ainda segundo Marta, o entregador teria respondido de forma irônica, o que aumentou a tensão da discussão.
"Não vou dizer que só um lado estava errado. Os dois estavam errados. Meu marido perdeu a cabeça, mas também houve provocação", afirmou.
A esposa do policial também questiona o contexto da gravação divulgada nas redes sociais e afirma que o vídeo mostra apenas parte do que aconteceu.
Vandalismo durante a madrugada
Madrugada adentro, após a repercussão das imagens, a residência do policial foi alvo de vandalismo. De acordo com Marta, um grupo de 15 a 20 motociclistas com as placas das motos cobertas foi até o local. Eles fizeram um buzinaço, chutaram o portão e lançaram pedras e rojões contra o imóvel.
A família relatou que acordou assustada e pensou que o barulho fosse de disparos de arma. O portão ficou danificado. Devido a ameaças e ofensas recebidas após o episódio, a esposa do PM precisou restringir seus perfis nas redes sociais. "Hoje eu não consigo nem sair no portão de casa sem medo", relatou.
Em publicação nas redes sociais, Marta afirmou que os atos de vandalismo não podem ser justificados pela discussão. "Sim, houve uma discussão. O entregador foi desrespeitoso e provocou a situação. Na sequência, o cliente também se exaltou. Mas nada justifica vandalismo, ameaças ou agressões", escreveu.
Motoentregador nega participação em ato de vandalismo
Já Douglas afirma que não participou do ato de vandalismo na casa da família e diz não ter qualquer responsabilidade sobre o que aconteceu depois da divulgação do vídeo.
"Eu não fui naquele local. Cheguei em casa e fiquei com medo. Eu percebi o que o pessoal fez no outro dia. Eles se sentiram revoltados com a situação e foram lá cobrar de alguma maneira", explicou.
O g1 entrou em contato com a Polícia Militar para solicitar um posicionamento sobre a conduta do agente e saber se uma apuração interna será aberta, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Entrega de lanche termina em ameaças, repercussão nas redes e ataque a residência
Reprodução/ Redes sociais
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