Quem são os principais candidatos a novo líder supremo do Irã
04/03/2026
(Foto: Reprodução) EUA ameaçam intensificar guerra contra o Irã
Após a morte do aiatolá Ali Khamenei no último sábado, em um ataque de EUA e Israel ao Irã, a Assembleia dos Peritos trabalha para escolher um sucessor ao posto.
A assembleia é composta por 88 clérigos islâmicos, e sua maior responsabilidade é escolher o líder supremo que, na prática, concentra o poder em Teerã. A última vez em que o ógão teve de deliberar sobre a eleição de um líder foi há mais de 36 anos, em 1989.
Dominado pela corrente xiita do Islã, o Irã considera o poder político indissociável da religião. Por isso, todos os principais candidatos ao posto são religiosos, e a maioria recebe o título de aiatolá.
No momento, quatro clérigos estão entre os mais cotados para assumir o posto. Veja quem são:
Aiatolá Mojtaba Khamenei
Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei e candidato a novo líder supremo do Irã. Foto de 2019.
AP Photo/Vahid Salemi/File
Segundo filho de Ali Khamenei, Mojtaba, de 56 anos, é o nome mais cotado para ascender ao cargo mais alto do país.
O clérigo perdeu não só o pai nos bombardeios do dia 28, mas também a mãe, a mulher e um filho pequeno, segundo a imprensa iraniana.
Mesmo ostentando o título de aiatolá, Mojtaba é um clérigo de nível intermediário e é uma das figuras mais influentes do establishment clerical iraniano. Ele é conhecido por ter uma postura linha-dura e tem laços estreitos com a elite da Guarda Revolucionária do Irã. Há anos ele é considerado um dos principais candidatos a suceder o pai.
Apesar de muito poderoso nos bastidores, pesa contra ele o fato de ser filho do antecessor. A passagem de poder de pai para filho não é bem vista dentro da corrente xiita do Islã.
Aiatolá Alireza Arafi
Alireza Arafi
Mostafa Meraji via Wikimedia Commons
Líder supremo interino do país, o aiatolá Arafi tem 67 anos e vem de uma família de clérigos.
Quando a revolução iraniana aconteceu em 1979, Arafi tinha apenas 21 anos e não fez parte da "primeira geração de revolucionários" do país. Seu nome ganhou maior notoriedade após a ascensão de seu antecessor, aiatolá Ali Khamenei, a líder supremo em 1989.
Ao longo da sua carreira, conquistou o título de mujtahid. Isso significa que Arafi é considerado um estudioso islâmico altamente qualificado, com autoridade para interpretar a lei islâmica (Sharia) e deduzir regras jurisprudenciais (fiqh) diretamente das fontes principais, como o Alcorão e a Sunnah. Suas áreas de especialização incluem jurisprudência islâmica (fiqh) e filosofia. Ele é fluente em árabe e inglês. Também é considerado um especialista em tecnologia.
Em 2016, foi nomeado chefe de todos os seminários religiosos do país.
Em maio de 2022, Alireza Arafi se encontrou com o Papa Francisco, no Vaticano, onde transmitiu ao líder da Igreja Católica uma mensagem de Ali Khamenei. Na época, o papa elogiou esforços para aproximar Islã e Cristianismo.
Aiatolá Mohammad-Mahdi Mirbagheri
Aiatolá Mohammad-Mahdi Merbagheri
Wikimedia Commons
De acordo com a rede de TV Al Jazeera, Mirbagheri é uma voz clerical ultraconservadora dentro do establishment e da Assembleia de Peritos.
O aiatolá é amplamente conhecido por sua visão de mundo crítica ao Ocidente. Atualmente, ele dirige a Academia de Ciências Islâmicas na cidade de Qom, no norte do país.
Hassan Khomeini
Seyyed Hassan Khomeini, neto do aiatolá Ruhollah Khomeini, durante visita oficial ao Sri Lanka, em 2016
Dinuka Liyanawatte/Reuters/Arquivo
O único dos cotados a não ostentar o título de aiatolá, Hassan é o mais proeminente dos 15 netos de Ruhollah Khomeini, líder da Revolução Islâmica de 1979 que derrubou a monarquia e instaurou a República Islâmica iraniana, a qual comandou como líder supremo até sua morte, em 1989.
Hassan, 53 é visto como um moderado dentro do clero iraniano. Ele mantém laços estreitos com reformistas, incluindo os ex-presidentes Mohammed Khatami e Hassan Rouhani, que adotaram políticas de aproximação com o Ocidente durante seus mandatos.
Ele ocupa um papel simbolicamente importante na vida pública como guardião do mausoléu de seu avô, no sul de Teerã. No entanto, ele nunca fez parte do governo.
Alguns políticos iranianos o consideram um rival dos linha-dura que ganharam influência sob o governo de Khamenei, principalmente seu filho, Mojtaba.
A defesa da nomeação de um sucessor moderado para Khamenei ganhou força entre alguns políticos iranianos após os distúrbios que varreram o Irã em janeiro, como forma de fortalecer a República Islâmica diante da crescente dissidência.