Vereadora denuncia importunação sexual durante gravação de podcast em SP; VÍDEO
28/05/2026
(Foto: Reprodução) Vereadora denuncia importunação sexual durante gravação de podcast em SP
A vereadora de Praia Grande, no litoral de São Paulo, Eduarda Campopiano (PL), denunciou ter sido vítima de importunação sexual durante a gravação de um podcast. Nas imagens, é possível ver o momento em que a outra convidada do programa, identificada como Savani Shakti, disse à parlamentar: "Te chuparia toda, garota" (assista acima). O caso é investigado pela Polícia Civil.
De acordo com o boletim de ocorrência, obtido pelo g1 nesta quinta-feira (28), o vídeo foi gravado em 7 de maio, mas foi publicado no último sábado (23). Conforme divulgado no YouTube, o conteúdo tratava-se de um debate entre "duas bruxas feministas" e "duas cristãs submissas".
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As quatro participantes discutiam sobre a religião cristã ter perseguido as mulheres de outras crenças, quando Savani destacou que a vereadora tinha apenas 22 anos e iniciou os comentários de cunho sexual. O g1 entrou em contato com a mulher, mas não obteve retorno até a última atualização.
"Te chuparia toda. Tu precisa disso. Por que? Tu vai me processar por isso? Eu estou falando para você que eu desejaria você. Maravilhosa, gostosa. Linda, gostosa do c******", afirmou Savani.
Vereadora de Praia Grande (SP), Eduarda Campopiano (PL) (à dir.), denunciou ter sido vítima de importunação sexual durante a gravação de um podcast com Savani Shakti (à esq.)
Reprodução/YouTube/RedCast
Eduarda levantou da cadeira e disse que não continuaria com a gravação. "Manda parar essa p****. Na moral, isso está gravado? Amigo, você não vai apagar isso não. Você não vai apagar essa merda não. Eu vou embora. Pega essa p**** aí, eu vou embora. Sua dissimulada, desrespeitosa", disse a vereadora.
Em nota, a vereadora afirmou ao g1 que divergências de ideias são naturais em uma democracia. "O que aconteceu naquele estúdio, no entanto, não foi um debate [...] Fui alvo de declarações de cunho explicitamente sexual e invasivo, proferidas com o claro intuito de me desestabilizar", ressaltou.
A vereadora destacou que o abalo moral e psicológico fez com que ela abandonasse o estúdio imediatamente. A parlamentar acrescentou que voltou para a gravação por profissionalismo e respeito aos organizadores e outros participantes.
Polícia acionada
Após a situação, o vídeo foi cortado e as quatro apareceram continuando o debate normalmente. Também por meio de nota, o Podcast RedCast afirmou que o quadro é feito toda semana e os temas não são voltados para questão sexual, e sim para religião e sociedade.
"A Eduarda foi perguntada sobre o que gostaria que fosse feito: a expulsão da participante do programa, o encerramento da gravação ou até mesmo o comparecimento da polícia, tudo isso foi colocado e a Eduarda quis continuar a gravação e agir no dia seguinte", afirmou o podcast, destacando que o vídeo completo já foi entregue à Polícia Civil e será usado em um futuro processo judicial.
Vereadora de Praia Grande (SP), Eduarda Campopiano (PL) (à dir.), denunciou ter sido vítima de importunação sexual durante a gravação de um podcast com Savani Shakti (à esq.)
Reprodução/YouTube/RedCast
A vereadora procurou a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Praia Grande, onde o caso foi registrado como importunação sexual na segunda-feira (25).
"Como mulher jovem, católica e conservadora, esses ataques violaram não apenas o meu decoro, mas os valores mais sagrados que norteiam a minha vida e a minha conduta pública", finalizou a vereadora, que já acionou os advogados na esfera cível e criminal.
Outras participantes
A outra cristã, identificada como Lauane Lopes, não foi localizada pelo g1. Já a feminista Lady Lucky publicou uma nota de esclarecimento nas redes sociais, afirmando que as falas da Savani foram "infelizes". "Não compactuo de forma alguma. Lamento profundamente o ocorrido", escreveu.
Vereadora de Praia Grande (SP), Eduarda Campopiano (PL) (à dir.), denunciou ter sido vítima de importunação sexual durante a gravação de um podcast com Savani Shakti (à esq.)
Reprodução/YouTube/RedCast
Especialista explica
Nas redes sociais, a vereadora publicou um vídeo sobre o caso, que já ultrapassou nove milhões de visualizações. Nele, ela levantou um debate após dizer que Savani sairia presa do estúdio, caso fosse um homem.
Ao g1, a presidente da Comissão da Mulher Advogada, da OAB Santos, Larissa Paz, concordou que o caso teria outros desdobramentos se a fala fosse dita por um homem. Apesar disso, ela destacou que a lei pune pelo ato, e não pelo gênero.
"[O episódio] mostra, para nós, que a violência pode ser registrada de diversas formas e não somente por homens", destacou Larissa. "A abordagem de conotação sexual não pode ser, em hipótese alguma, abrandada, independente do gênero de quem a pratica", completou ela.
Ainda segundo a presidente, a pena por importunação sexual pode chegar a cinco anos de reclusão. "Neste caso específico, o crime poderá ainda ser enquadrado com injúria qualificada, cuja pena pode chegar a três anos de reclusão mais multa", finalizou.
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